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A polêmica da ARENA DAS DUNAS: afinal, ela deve ou não ser derrubada?

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Desde a última segunda-feira, dia 04 de julho de 2016, a polêmica em torno da construção do estádio ARENA DAS DUNAS encontra-se instaurada. Jornais, telejornais, programas de rádio, blogs, twitter, facebook, whatsApp, dentre outros meios de comunicação inseriram na pauta de debate. Tudo isso, em decorrência da divulgação de um relatório, elaborado pelo Corpo Técnico do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte, que ainda pende de análise do plenário da referida Corte, o qual indica a possível existência de preço acima do praticado em estádios semelhantes, construídos na mesma época, pelas mesmas empresas e com idêntica finalidade.
Diante da divulgação do resultado do referido estudo técnico, percebe-se reflexo na política, na medida em que alguns dos envolvidos na contratação já se apresentam como pré-candidatos nas próximas eleições, sendo naturalmente alvo de críticas; na seara administrativa e econômica, tendo em vista que os órgãos de controle do Estado já sinalizam para a imediata suspensão do pagamento das parcelas do financiamento, que já ultrapassam R$ 12.000.000,000 (doze milhões de reais) mensais; e na área jurídica, devido ao nascimento do debate em torno do contrato que serviu de base para que o consórcio efetuasse a construção da Arena das Dunas e o Estado do Rio Grande do Norte assumisse a obrigação de pagá-la, dentro de 30 (trinta) anos.
No entanto, uma das principais discussões gira em torno de saber se Natal, leia-se o Estado do RN, deveria ou não possuir um estádio de futebol de tamanha envergadura e, por consequência, de elevado custo.
Para opinar com mais segurança em torno do assunto, indispensável voltar um pouco no tempo. Em outubro de 2007, o Comitê Executivo da Fifa, em Zurique, anunciou a escolha do Brasil com sede da Copa do Mundo de 2014. No mês de maio de 2009, veio a escolha das cidades sedes, tendo Natal sido incluída entre elas.
Lembro bem da festa que fizemos tanto na escolha do Brasil como sede, como na inclusão de Natal como cidade sede. Afinal, a imagem que tínhamos era do estádio bonito, lotado, seguro e da seleção brasileira sendo campeã.
Ocorre que, no Brasil, infelizmente, a lógica acaba sendo outra. Enquanto uns visualizaram a beleza e alegria do futebol, outros certamente estariam vislumbrando o que a Copa do Mundo poderia trazer de resultado financeiro direto.
A partir daí, surgem os processos licitatórios, a organização de empresas em consórcios, a presença de políticos ao redor das decisões e a necessidade de pressa para concluir a construção a tempo da competição. Tudo isso, parece que agora está apresentando o resultado.
É tanto que, como observador e naturalmente crítico da forma como as coisas acontecem no Brasil, percebo que o debate não deve girar em torno da pergunta se Natal tinha ou não condições de ter uma arena do porte da atual. O fato é que, se tinha ou não, hoje temos a Arena das Dunas. Se temos, alguém teve que construir. Se construiu, o Estado deve pagar o preço da construção.
O detalhe mais importante é que, uma vez verificado que houve irregularidade na precificação e cobrança de valores elevados da construção, deverão ser tomadas medidas imediatas para evitar ou até mesmo diminuir os possíveis danos ao patrimônio público, até porque, pagar a conta de modo justo é indispensável.
Dizer hoje que não teríamos condições de possuir uma Arena é tarde. Afinal, alguém acha que ela deverá ser derrubada?

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