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Quem cuspir primeiro ganha...

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Embora desde o último domingo, dia 17 de abril de 2016, o assunto mais comentado no país tenha sido a admissibilidade do processo de IMPEACHMENT, acredito que duas manifestações específicas de parlamentares tenham chamado um pouco mais de atenção.
Em que pese o debate relativo à quebra de decoro parlamentar, em decorrência da homenagem sem propósito efetuada por um deles, que inclusive já está sendo objeto de debate pela Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, o que mais chamou a atenção foi assistir dois parlamentares trocando "cuspes" e xingamentos. Infelizmente, esse é o nível do nosso parlamento, formado de pessoas que foram eleitas para representar o povo.
Na mesma linha de comportamento, também foi notícia um conhecido e reconhecido ator nacional que, após acalorada discussão em um restaurante, entendeu por bem lançar uma "cusparada" em direção ao possível rival.
Assistindo as duas cenas, voltei um pouco ao passado, época de criança em que, quando muito se discutia em razão de um jogo de futebol, sempre aparecia algum integrante da turma para colocar a mão entre os supostos adversários e dizer: "quem cuspir primeiro ganha." E, caso alguém saísse na frente, aquele suposto árbitro teria que retirar a mão de modo rápido para que fosse possível a "cuspida" atingir a outra parte. Como regra, poucos tomavam a iniciativa de sair na frente. Como era criança, a brincadeira era até justificável, para a época.
Acredito que a grande diferença do momento atual e, naturalmente, das pessoas envolvidas nas cenas, além da maioridade e capacidade civil, seja o fato de terem por obrigação servir de exemplo.
Imagine que a principal cena ocorreu em um dia em que, independentemente do resultado prático que venha acontecer nas próximas semanas, estava sendo discutido, ou melhor, votado, os rumos do nosso país. É certo que pelos pronunciamentos de diversos parlamentares, fácil foi perceber que poucos tinham a dimensão daquele momento, apesar do mundo todo está atento ao desenrolar daquela votação.
É tanto que, diante da referida cena, ouso questionar: será que a culpa de tudo isso é do povo que elegeu os seus representantes? Será que a partir de agora, para votarmos em alguém, teremos que questioná-lo como ele agirá no momento que a sua opinião for contrariada?
Pelo que está sendo possível perceber, vivemos uma enorme crise política e, o que é ainda mais grave, estamos passando por uma verdadeira crise de valores. Atitudes extremas e até mesmo desarrazoadas estão sendo tomadas por todos. Gritos, agressões físicas, xingamentos pessoais e via redes sociais estão sendo comuns, muitas vezes pelo simples fato do “opositor”, como a sua própria designação indica, ter opinião diversa.
Da mesma forma como assistimos pessoas de destaque nacional agindo do modo extremo, presenciamos pessoas comuns e até próximas com atitudes similares.
Considerando que a quase certa troca de comando do país está sendo apontada como sinônimo de mudança e renovação, pelo que se consegue observar muito precisa ser feito. Talvez, o grande desafio dos próximos anos, em todos os níveis da sociedade, será incutir a ideia de que não somente a política e os políticos precisam mudar, porém toda a sociedade (todos nós).
Certamente, em obtida a referida consciência, não presenciaremos os parlamentares ao votar a favor ou contra algum tema de relevância nacional fazendo referência a si e aos familiares, mas sim ao povo e à coletividade; afastando assim a ideia de que “quem cuspir primeiro ganha.”

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